Era uma antiga reivindicação de meu neto, que mora conosco, e é um "amorescente"(1), conforme neologismo de autoria da filhinha da Cida, nossa amiga aqui no blog e pessoal: ele queria ter o direito de ir ao centro da cidade de ônibus.
Cabe aqui explicar que, no Df, o que corresponderia ao centro da cidade num outro lugar é a região administrativa de Brasília, o chamado Plano Piloto. Os "bairros" são as outras regiões administrativas, como o Gama, onde residimos. Nosso "bairro" fica a 40 km do Plano Piloto, ou seja, mais ou menos uma hora de ônibus, se tudo correr bem, pois há várias obras nas rodovias do Distrito Federal. As regiões administrativas por sua vez, completando a explicação, são tão extensas que funcionam como outras cidades, dividindo-se em bairros verdadeiros.
Continuando, dei autonomia ao Lucas primeiro dentro do Gama. Ele já sabe há bastante tempo se locomover aqui na região, embora, na realidade, prefira ir de carro comigo às atividades que desenvolve.
Mas a reivindicação persistia: já tenho idade suficiente para andar sozinho. Assim como fiz com meus filhos, tomei providências para "ensiná-lo". Fomos ao terminal rodoviário daqui e nos informamos dos horários. Afinal, o comum não é andar de ônibus, devido às grandes distâncias entre as regiões administrativas, ao tempo de espera pelo ônibus, à segurança, entre outros fatores.
No dia marcado, fui retirá-lo mais cedo da escola pela manhã, pois é necessária a autorização de um responsável para isso, levei um lanche e o acompanhei à parada de ônibus. Ficou lá sozinho enquanto eu estacionava o carro.
Meu primeiro motivo de preocupação foi a sacola, que deixou displicentemente no chão, enquanto olhava se vinha o ônibus de uma das linhas que poderia utilizar. Ao voltar, depois de deixar o carro estacionado, adverti-o discretamente sobre os cuidados com uma sacola numa parada de ônibus e trouxe também um pouco de suco. Continuamos aguardando. Uns vinte minutos depois apareceu o ônibus e expliquei que era necessário fazer sinal de parada, senão ele iria embora. Mas conseguimos fazer o sinal a tempo e ele embarcou.
Depois de uma hora ele ligou, dando notícias: chegara bem ao destino e já estava na casa de seus familiares do lado paterno. Agradecemos a Deus por isso, e também porque nosso Lucas Felipe está se desenvolvendo adequadamente emocionalmente e fisicamente.
Ah, eu tirei a foto sem que ele visse para documentar o momento.
(1) "Amorescente" é um neologismo criado pela Flávia para substituir "aborrescente", substantivo muito utilizado em lugar de "adolescente".