terça-feira, 18 de setembro de 2012

Gratidão

Vou chamá-la de Maria. Ela é mais jovem que eu, uma senhora no início da meia idade. Em maio encontrei-a na igreja um pouco  antes do culto e a cumprimentei.
Nesse mesmo dia, no final da tarde, tive a notícia de que estava no hospital, pois tivera um problema de saúde muito grave logo após o meio-dia. Não vimos a Maria por algum tempo. Soubemos, entretanto, das notícias e oramos muito por ela.
Foi detectado um mal no  cérebro de Maria e era necessária uma cirurgia urgente. Foram receitados alguns medicamentos e depois ela foi hospitalizada para aguardar o momento da intervenção. Ela cantava num grupo musical e as próximas participações desse grupo foram sem a presença dela. Num festival de música sacra, antes de se apresentarem, leram uma carta de Maria para a igreja, agradecendo as orações.
A intervenção foi feita, durou nove horas e começou a recuperação.
Agora, três meses passados, Maria externou o desejo de agradecer pelo que Deus já fez por ela e foi programado um culto de agradecimento, em que ela pôde cantar com seu grupo novamente, embora amparada pelos colegas, e ouvir o sermão, que a encorajou a continuar firme esperando no Senhor.
Houve um momento emocionante em que nossa irmã Maria foi ungida pelo pastor, com óleo que representa o Espírito Santo, enquanto ele orava pelo restabelecimento da saúde dela.
Maria havia combinado que cantaria apenas a última música, mas fez questão de cantar todas as músicas apresentadas pelo grupo musical.
Também apresentou seu testemunho, contando o que acontecera nesses últimos quatro meses. Falou no decorrer desse testemunho que sentiu sempre a presença de Deus e dos anjos com ela nos momentos de sofrimento.
Um dos versos mencionados pelo pastor no sermão foi "Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti." (Isaías 43:2)
Que tenhamos essa confiança na ação de Deus em nossa vida e  que tenhamos esse desejo de agradecer aquilo que faz por nós.

domingo, 9 de setembro de 2012

By bus

Era uma antiga reivindicação de meu neto, que mora conosco, e é um "amorescente"(1), conforme neologismo de autoria da filhinha da Cida, nossa amiga aqui no blog e pessoal: ele queria ter o direito de ir ao centro da cidade de ônibus. 
Cabe aqui explicar que, no Df,  o que corresponderia ao centro da cidade num outro lugar é a região administrativa de Brasília, o chamado Plano Piloto. Os "bairros" são as outras regiões administrativas, como o Gama, onde residimos. Nosso "bairro" fica a 40 km do Plano Piloto, ou seja, mais ou menos uma hora de ônibus, se tudo correr bem, pois há várias obras nas rodovias do Distrito Federal. As regiões administrativas por sua vez, completando a explicação, são tão extensas que funcionam como outras cidades, dividindo-se em bairros verdadeiros.
Continuando, dei autonomia ao Lucas primeiro dentro do Gama. Ele já sabe há bastante tempo se locomover aqui na região, embora, na realidade, prefira ir de carro comigo às atividades que desenvolve.
Mas a reivindicação persistia: já tenho idade suficiente para andar sozinho. Assim como fiz com meus filhos, tomei providências para "ensiná-lo". Fomos ao terminal rodoviário daqui e nos informamos dos horários. Afinal, o comum  não é andar de ônibus, devido às grandes distâncias entre as regiões administrativas, ao tempo de espera pelo ônibus, à segurança, entre outros fatores.
No dia marcado, fui retirá-lo mais cedo da escola pela manhã, pois é necessária a autorização de um responsável para isso, levei um lanche e o acompanhei à parada de ônibus. Ficou lá sozinho enquanto eu estacionava o carro.
Meu primeiro motivo de preocupação foi a sacola, que deixou displicentemente no chão, enquanto olhava se vinha o ônibus de uma das linhas que poderia utilizar. Ao voltar, depois de deixar o carro estacionado, adverti-o discretamente sobre os cuidados com uma sacola numa parada de ônibus e trouxe também um pouco de suco. Continuamos aguardando. Uns vinte minutos depois apareceu o ônibus e expliquei que era necessário fazer sinal de parada, senão ele iria embora. Mas conseguimos fazer o sinal a tempo e ele embarcou.
Depois de uma hora ele ligou, dando notícias: chegara bem ao destino e já estava na casa de seus familiares do lado paterno. Agradecemos a Deus por isso, e também porque nosso Lucas Felipe  está se desenvolvendo adequadamente emocionalmente e fisicamente. 
Ah, eu tirei a foto sem que ele visse para documentar o momento.

(1) "Amorescente" é um neologismo criado pela Flávia para substituir "aborrescente", substantivo muito utilizado em lugar de "adolescente".

sábado, 1 de setembro de 2012

Setembro

É hoje o início do mês da primavera.
Amo a primavera, porque lembra flores nascendo, botões se abrindo, árvores enverdecendo, enfim lembra um renascimento da natureza.
Li esta semana no livro de meditações matinais a história de um monte sob a neve, que floresceu na primavera. Antes de o inverno chegar, no hemisfério norte, a esposa do autor (William Johnson) tentou espalhar matéria vegetal sobre os canteiros do jardim. Não teve tempo de terminar o trabalho e, sob a neve que o cobriu, ficou um monte que era possível observar ao passear por ali. 
Quando a primavera chegou, foi possível observar o que estava oculto sob aquele monte: "Do monte recém-descongelado de matéria vegetal emergia nova vida como uma fonte amarela. As plantas ressurgiram em cor amarelada devido ao longo período que passaram na escuridão. Dentro de um ou dois dias , o sol colocou a fantástica fórmula de clorofila em prática e as folhas recuperaram a coloração normal."
Como o autor concluiu, se nos estivermos sentindo abandonados, podemos saber que a graça de nosso Deus pode fazer ressurgir nossos sonhos e alegria de viver como faz nascer belas flores após três meses sob um monte na neve.